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domingo, 15 de março de 2026
LONDRES, VIENA, BERLIM E DRESDEN - FEVEREIRO 2026
INVERNO EM LONDRES, VIENA, BERLIM e DRESDEN
FEVEREIRO 2026
Viajar no inverno europeu tem as óbvias desvantagens do frio, neve, chuva, cinza, mas vantagens interessantes como menos turistas, temporada de ópera e teatro, alguns preços mais módicos.
Começamos por Londres e a infernal chuvinha. Atrapalha atividades ao ar livre e caminhadas mais ambiciosas, mas as atrações de museus, restaurantes e shows compensa qualquer coisa. O highlight dos palcos foi a estreia de Shadowlands, peça maravilhosa sobre a vida do escritor C.S. Lewis. Um privilégio estar na cidade e participar de um evento assim, motivadas pelo estrelato e proficiência de Hugh Bonneville e Maggie Siff. Por coincidência, tínhamos entradas para visitar Highclere Castle, cenário de sonhos da magnífica série Downton Abbey.
O castelo vale muito a visita para quem é fã da série, se não for, considere:
1 – uma hora de trem de Londres.
2 – táxi da estação ao castelo.
3 – comida e loja fracas no castelo.
4 – não se pode entrar com mochilas ou sacolas e não há guarda volumes.
Para os admiradores do programa televisivo, aqui vai:
1 – o castelo é ainda maior e mais bonito do que no seriado.
2 – a visita guiada é muito interessante e as histórias contadas pelos excelentes guias, bem interessantes.
3 – a propriedade, uma fazenda bem inglesa, em pleno funcionamento, é verde e grande, local divino.
4 – há um pequeno museu egípcio no subsolo, fascinante devido ao fato de que um prévio morador e proprietário do castelo, o Conde de Carnarvon, foi quem financiou e co-descobriu com Howard Carter, a tumba de Tutancâmon no Egito.
5 – tudo em Highclere é real, vivo. A família e os próprios condes moram lá e criam cavalos, vários deles pertencentes a família real. Não se tem a sensação fake de coisa de Hollywood.
O bate-volta de Londres é perfeitamente viável, boa oportunidade para ver um pouco o belo interior da Inglaterra.
A próxima parada do trajeto foi Viena e sua deslumbrante ópera, duas noites inesquecíveis no hotel bem localizado, Grand Ferdinand. A pé para ver Luisa Miller de Verdi e Jewels de Balanchine. Tudo entremeado por tortas Sacher, bolos fenomenais na confeitaria Gerstner, Wiener Schnitzels (bife à milanesa austríaco), a sobremesa das 1001 noites, Kaiserschmarm, no Figelmüller e principalmente no Plachuttas, os dois bem perto do centro.
Ao lado do palácio da Sissi fomos ver o espetáculo único e inesquecível dos cavalos dançantes, os Lipizaners. Para os apreciadores destes animais e da equitação, vale o caro ingresso. Do lado barato, quase inexistente, claro, está a Zara em frente à imponente catedral. É melhor do que a Zara na Espanha, preços incríveis e qualidade superior a maioria das lojas da cadeia. Viena é mais razoável em termo de custos do que Londres, mas não tanto quanto Berlim e Dresden, destinos a seguir.
Minha terceira vez em Berlim em um ano, não canso, apesar do clima sempre horrível e cinzento. As orquestras, concertos, cenário musical clássico são fabulosos e a história deste palco de guerras e conflitos internacionais é sempre atual. Caminhar em meio as construções sóbrias e modernas pontilhadas do pouco que sobrou de tantos bombardeios, só existe lá, one and only. A cidade reinventada, reconstruída e replanejada tantas vezes, uma capital mais do que digna para um país do porte e importância da Alemanha; com um ar informal e multicultural, ao mesmo tempo alternativo e elegante. Desta vez retornamos à loja de departamentos mais interessante e atmosférica da Europa, a sensacional KDW. Traduzindo do alemão, o “centro de compras ocidental”. O nome é um tanto ambicioso e antiquado, mas o lugar é bem sortido, iluminado, fácil, convidativo. O piso gourmet é um sonho de lojas de comidas divinas, restaurantes que vão dos frios até os frutos do mar, um display alucinante que engorda e encanta só de olhar. Se eu tivesse que recomendar experiencias vitais em Berlim, o muro da Guerra Fria, a Sinfônica e o Humbolt Forum estariam na dianteira por importância histórico cultural. Mas para “tirar a barriga da miséria” nada como refeições apetitosas e compras bacanas na KDW.
Nosso último destino foi Dresden e seu centro histórico muito bonito. Bem fácil de trem de Berlim, perfeitamente viável como programa de dia inteiro. A cidade encanta as margens do rio Elba, com construções maravilhosas, perfeitas e germanicamente restauradas. A Ópera de Dresden é uma beleza, mas não tivemos sorte com Dialogues des Carmelites, obra bastante tediosa.
Nem tudo pode ser perfeito numa viagem. Esta com minha irmã, foi quase!
São Paulo, 15 de março de 2026.
sábado, 7 de março de 2026
MICROCATIONS OU MICROFÉRIAS - NOVA YORK E RIO DE JANEIRO
MICROFÉRIAS – NOVA YORK E RIO DE JANEIRO
Ou escapadas rápidas, como preferirem.
Recentemente o jornal The New York Times publicou matéria sobre a nova tendencia americana as “microcations”, mix da palavra micro com vacations, em inglês. Como a grande maioria dos norte-americanos só tem poucos dias de férias pagas ao ano e tem uma cultura de trabalho intensa e competitiva, as microférias fazem sentido. São uma quebra de rotina, um relax curto, sem gastar muito.
A coisa funciona assim, em sua forma ideal; usa-se milhas para voos, gasta-se pouco com hotéis, o que é bom em destinos caros, e as visitas a museus, shows, parques e restaurantes fica condensada e eficiente, pois as férias breves precisam ser bem planejadas para serem eficientes. Uma maratona organizada e feliz.
No final do ano passado, testei a teoria em Nova York e deu muito certo. O sucesso se deve em boa parte, ao fato de eu conhecer bem a cidade e saber exatamente o que fazer e aonde ir. Duas noites no avião e duas no hotel. Como os voos chegam muito cedo e partem a noite, o itinerário pode abranger bastante coisa. Quatro peças de teatro, compras, boas caminhadas e três restaurantes. Dois filmes maravilhosos, experiencia que em cinemas americanos e sua imbatível tecnologia, tende a ser bastante diferente de cinemas comuns. Fora a pipoca americana! Deu até tempo para um corte de cabelo em uma barbearia antiguinha do Upper West Side, aquelas com o sinal luminoso rotativo vermelho e branco. Uma profissional das Filipinas fazendo os cortes femininos, um russo mal humorado no caixa, só aceitavam dinheiro vivo, nada de cartões. Toda viagem tem seu toque pitoresco.
Aliás, viajar hoje em dia está mais complicado e não menos, como pensam os inexperientes, em relação a pagamentos. Não se aceitam cartões de crédito ou débito em vários lugares do mundo, mesmo os mais civilizados. Sempre vai ter uma situação, de qualquer tipo, que vai exigir as boas e velhas notas em espécie. Pagamentos via celular também não são ainda universais.
Outro ponto muito importante das microférias é escolher localização do hotel, aeroporto e meios de transporte. Em Nova York, por exemplo, depender de táxi ou Uber é uma furada gigante por causa do trânsito parado. Metrô e trens tornam tudo mais fácil. Newark e La Guardia são bons aeroportos, JFK uma ratoeira terrível.
Cansativo o programa? Nem tanto, em voos noturno e fuso horário curto entre os EUA e o Brasil. Em termos de estação do ano, o final do outono, especialmente novembro, é mais vazio, preços melhores e o frio ainda não é inclemente. E as milhas funcionam melhor com menos movimento nas companhias aéreas.
No primeiro final de semana de dezembro, exercitei a teoria das microférias no Brasil, com algumas horas deliciosas no Rio. Um sábado, estudando a meteorologia para evitar chuvas e calor medonho. Voo matutino, volta no final da tarde. Programa maravilhoso e como moro perto de Congonhas, a eficiência da logística é perfeita. No Rio, num sábado, os Ubers funcionam bem, o trânsito é ameno e não há o susto dos tenebrosos táxis cariocas. Nada de pagar hotel a preços extorsivos e nem sequer cheguei perto de qualquer praia lotada.
O mar eu vi do maravilhoso MAR e do Museu do Amanhã, dois lugares imperdíveis. O meu objetivo no Rio era conhecer o restaurante Sud Pássaro Verde, da chef gaúcha Roberta Sudbrack. Comida espetacular, lugar adorável, vale a viagem. Fora as deliciosas caminhadas pelas ruas frescas e aprazíveis do Jardim Botânico.
Aliás, o segredo para o sucesso das microférias é o foco: ter objetivos principais e trabalhar em função disso. Priorizar e depois... É só aproveitar!
Meu próximo projeto de microférias é o Cairo, cujo foco é exclusivamente o GEM.
Quem viver verá...
São Paulo, 07 de abril de 2026.
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