Translate

quarta-feira, 8 de abril de 2026

ARTICO NORUEGUES - AURORA BOREAL - MARÇO 2026

VOLTA AO ÁRTICO – NORUEGA MARÇO 2026 Lá voltei eu, um ano após Finlândia, uns 5 depois do Ano Novo na Islândia, uns 7 posteriores ao outono na Islândia e 13 anos depois do Grand Tour pelos países escandinavos no final de janeiro. Devo gostar de frio e climas inóspitos, certo? Em parte. Gosto mesmo é das sensacionais paisagens, do mundo de silencio e escuridão contrastando com a neve brilhante nos poucos momentos de sol. Gosto dos altos níveis de civilização destes países, seu forte senso comunitário, ético e sua paixão por atividades físicas e literatura. No ano passado me espantei com o altíssimo nível das produções cênicas de Helsinque e este ano, com uma versão moderna de Don Carlo, na arrojada Opera de Oslo. E põe arrojado nisto no fabuloso museu Munch, obra de arte arquitetônica moderníssima, pertinho da ópera, na única área interessante de Oslo, que é a orla e porto. O resto é cinza, tedioso e a capital norueguesa é a que menos gosto das cinco Nórdicas. Aproveitando um grupo pequeno de seis pessoas or ganizadao pela Freeway, agência de São Paulo em cujos grupos me encaixo, há uns seis anos, anualmente, parti a Alta, uma cidadezinha fofa bem perto do Cabo Norte, o ponto mais perto do Polo Norte do continente europeu. O objetivo era ver tal marco geográfico, frustrado pela neve, cinza e neblina constantes. Valeu pelo belo trajeto, pela escolta obrigatória de um enorme caminhão neve-escavadeira que abre caminho até o monumento e ótimo centro de visitantes. É uma rara sensação de aventura, sem ser. Tudo é organizado com muita segurança, tendo em mente um turismo ao mesmo tempo ousado, pero no mucho... Na sequência, Tromso, uma linda cidade com importância histórica, artística e geográfica. Centro antigo de pesca norueguês, hoje vibrante cidade com boas opções culturais, bonito centro antigo, belas igrejas, paisagens deslumbrantes. O bom do final de março é que ainda há muita neve por toda parte, mas os dias são longos e bem mais ensolarados. O ponto alto da viagem, alvo principal e ainda mais longínquo era Solvaer, capital das divinas Ilhas Lofoten, que além de lindas, oferecem o melhor bacalhau do mundo, aquele bem caro da Noruega. E como dizem os portugueses: as Ilhas Lofoten têm o bacalhau, mas nós temos a receita. Com certeza, pois na Noruega a comida é uma sem-graçeira sem fim e o bacalhau de lá, a moda portuguesa é incrível. Solvaer é bonita, pequena, modernosa e com uma mini orla cercada de picos altos, nevados e refletidos nas profundas águas calmas dos fiordes. De lá partimos para várias visitas a pequenos vilarejos onde o bacalhau ainda é pescado e seco ao ar livre. Em algumas, há interessantes museus sobre a história deste bizarro peixe e a importância que teve e ainda tem, na economia do país. Interessante e exótico. Nossa última cidade foi Harstad, que já conhecia e tinha adorado. O local presenteou nosso grupo com uma maravilhosa Aurora Boreal, apenas meia hora de um show de tons de verde, uma enorme pluma bruxuleante no céu muito escuro e estrelado, com as montanhas nevadas emoldurando a natureza refletida nas águas do mar gelado da Noruega. Como já havia escrito antes, em artigos prévios sobre o Ártico, a indústria da Aurora é um conto do vigário dos maiores, coisa das mídias sociais e dos emergentes genéricos que por lá pululam. Os trouxas acreditam que é só pagar o pacote e a Aurora está no papo. Ledo engano. Em dezenas de oportunidades que tive o privilégio de vivenciar nestes 14 anos de Ártico, só via a Aurora 3 míseras vezes. É como ver tigre dando sopa na floresta, jiboia engolindo bezerro no Pantanal, neve em Gramado e outras aparições que só dependem da Mãe Natureza, criatura que os seres humanos, tentam em vão controlar... São Paulo, 8 de abril de 2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

MICROCATIONS OU MICROFÉRIAS EGITO MARÇO 2026

Microcations ou Microférias EGITO MARÇO 2026 Como prometido recentemente, agora escrevo sobre meu mais novo e ousado plano de microférias, um sonho plenamente realizado e cem por cento bem sucedido. Em plena época de guerras, contra qualquer lógica e bom senso, só fazendo uma escolha baseada em fatos e probabilidades. E la mano de Diós, como dizia o finado Maradona... No último dia de fevereiro, o tresloucado presidente americano declarou guerra ao Irã, em grande parte ajudado por outro louco de corrente, o presidente de Israel. Neste dia, eu já tinha tudo pago e planejado para visitar o Egito por duas noites, dias 29 e 30 de março, com o intuito único e absoluto de conhecer o GEM, o mais novo museu de história egípcia, finalmente inaugurado após vinte anos de batalhas de vários tipos. O que fazer com tudo pago e planejado? Resolvi monitorar a situação no Golfo da Pérsia e arredores, diariamente, baseada em várias fontes de informação e canais de mídia diferentes, para ver se a guerra se alastraria além Golfo. Por sorte isso não aconteceu e no dia 29 passado voei de Oslo a Istambul, me deliciei com as compras de guloseimas no Old Bazaar no aeroporto da capital turca e cheguei ao Cairo uma hora e meia depois. Optei por visto eletrônico prévio, tarefa inglória, mas possível e não houve qualquer problema na imigração. O motorista do hotel Steinberger me esperava na saída e passei a primeira noite em pleno Tahrir Square, a praça principal da enorme, interessante e exótica capital do Egito. Este lugar é famoso por abrigar a Opera House e o Museu do Cairo, além dos melhores hotéis da cidade. Foi palco dos protestos políticos mais importantes do país, como a Primavera Árabe de 2011. Estive ali em 2007 e está cada vez mais movimentada e fascinante. Ainda é muito difícil aos pedestres atravessarem as enormes ruas que para lá convergem, mas a gentileza e simpatia do povo egípcio ajuda muito. Ainda é o coração da cidade que já tem mais de 20 milhões de habitantes e faz o trânsito de São Paulo parecer cidade do interior em comparação. Como o GEM é muito perto das pirâmides e longe do centro, ficar presa dentro do táxi faz parte da aventura e pode-se observar a arquitetura caótica da cidade, um sem fim de favelas misturadas a edifícios e casas sem graça, a viadutos e elevados cortando tudo sem muito sentido, uma espécie de LEGO árabe-africano em vários tons de bege e marrom. O rio Nilo aparece escuro aqui e ali, mas a cacofonia urbana parece engolir tudo. Junto com uma infinidade de gatos soltos por toda parte e cães uivando fora de controle. Os milhões de habitantes pendurados em motocicletas e uma infinidade de carros e ônibus que abrigam gente vestida a moda ocidental e oriental, não há regra ou consenso. Mulheres de burca, hijab, ou cabeça descoberta, homens com ou sem turbantes, um saladão de estilos. Por ser país de maioria muçulmana, claro que há muita mesquita, mas menos do que outros na região e de longe, o único em que se pode ver igrejas cristãs em números significativos. Até nisso a mistura é absoluta. Também vi mais mulheres trabalhando que que em outros países do Oriente Médio. As duas funcionárias da imigração, chegada e saída, eram moças de hijab preto, muito sérias e eficientes. No hotel e nos museus, várias vestidas a caráter ou não, mas trabalhando. Não se sente a segregação de gênero típica de outros países da região. O GEM, objetivo das arriscadas microférias não desapontou. Fiquei cinco horas lá dentro e me deslumbrei com a arquitetura que conversa com as três pirâmides ao redor, que remete a elas o tempo todo, pois tudo no museu é pirâmide dentro de pirâmide. Tive a impressão de que o projeto quer reviver a sensação de estar dentro de Quéops, Kefrem e Mikerinos nos tempos do antigo Egito, partilhar de seus tesouros, dos mistérios da vida após a morte, para a qual a turma daquela época se preparava em alto estilo. O acervo é maravilhoso e agora todos os tesouros de Tutancâmon estão juntos num espetacular andar dedicado a ele, tudo maravilhosamente exposto em meio a tendas que fazem efeitos de dourado e preto, fornecendo assim uma iluminação adequadamente fantasmagórica ao lugar. Pelas enormes escadarias principais se desvela a majestade dos faraós e seus magníficos acessórios e história. As galerias são abertas e tudo é muito fácil de visitar. Apesar de grande, o museu é de simples navegação, tudo faz sentido. No térreo tem belas lojas, joalherias poderosas, comida local e estrangeira, tudo junto e ao mesmo tempo convenientemente apartado dos tesouros. Há uma infinita oferta de banheiros, o que é vital em lugar deste porte. Há muitos visitantes, mas os ingressos têm hora marcada e a coisa flui harmoniosamente. Desnecessário dizer que há um exército de funcionários e seguranças por toda parte. Das janelas que dão para o deserto, as pirâmides estão ali, dominando tudo. Pode-se sair e vê-las de perto, sem estar à mercê dos alugadores de camelos e outros chatos de plantão. Há também uma construção menor, mas não pequena, dedicada exclusivamente aos barcos reconstruídos e encontrados pertos das pirâmides, um incrível projeto em grande parte possível devido a uma boa parceria com técnicos e governo japoneses. Fui para ver o GEM, bucket list total. E voltei ao velho Museu do Cairo, onde já tinha estado duas vezes. Continua velho, misterioso, empoeirado e fascinante em sua total atmosfera de Morte no Nilo, da saudosa Agatha Christie. E para minha surpresa, o acervo continua maravilhoso. Um verdadeiro milagre considerando-se que nem a parafernália do Rei Thut e nem as múmias reais estão mais por lá. O Egito tem tantos tesouros que mais um, menos um, não faz diferença, existe sempre o que ver, admirar, embasbacar e viajar no tempo. Não creio que volte mais ao Egito nesta encarnação. Mas quem sabe nas próximas? Já tenho as dicas dos faraós. São Paulo, 07 de abril de 2026. Dia que o presidente americano alega ser o último antes da aniquilação total do Irã. Quem viver verá...