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terça-feira, 7 de abril de 2026

MICROCATIONS OU MICROFÉRIAS EGITO MARÇO 2026

Microcations ou Microférias EGITO MARÇO 2026 Como prometido recentemente, agora escrevo sobre meu mais novo e ousado plano de microférias, um sonho plenamente realizado e cem por cento bem sucedido. Em plena época de guerras, contra qualquer lógica e bom senso, só fazendo uma escolha baseada em fatos e probabilidades. E la mano de Diós, como dizia o finado Maradona... No último dia de fevereiro, o tresloucado presidente americano declarou guerra ao Irã, em grande parte ajudado por outro louco de corrente, o presidente de Israel. Neste dia, eu já tinha tudo pago e planejado para visitar o Egito por duas noites, dias 29 e 30 de março, com o intuito único e absoluto de conhecer o GEM, o mais novo museu de história egípcia, finalmente inaugurado após vinte anos de batalhas de vários tipos. O que fazer com tudo pago e planejado? Resolvi monitorar a situação no Golfo da Pérsia e arredores, diariamente, baseada em várias fontes de informação e canais de mídia diferentes, para ver se a guerra se alastraria além Golfo. Por sorte isso não aconteceu e no dia 29 passado voei de Oslo a Istambul, me deliciei com as compras de guloseimas no Old Bazaar no aeroporto da capital turca e cheguei ao Cairo uma hora e meia depois. Optei por visto eletrônico prévio, tarefa inglória, mas possível e não houve qualquer problema na imigração. O motorista do hotel Steinberger me esperava na saída e passei a primeira noite em pleno Tahrir Square, a praça principal da enorme, interessante e exótica capital do Egito. Este lugar é famoso por abrigar a Opera House e o Museu do Cairo, além dos melhores hotéis da cidade. Foi palco dos protestos políticos mais importantes do país, como a Primavera Árabe de 2011. Estive ali em 2007 e está cada vez mais movimentada e fascinante. Ainda é muito difícil aos pedestres atravessarem as enormes ruas que para lá convergem, mas a gentileza e simpatia do povo egípcio ajuda muito. Ainda é o coração da cidade que já tem mais de 20 milhões de habitantes e faz o trânsito de São Paulo parecer cidade do interior em comparação. Como o GEM é muito perto das pirâmides e longe do centro, ficar presa dentro do táxi faz parte da aventura e pode-se observar a arquitetura caótica da cidade, um sem fim de favelas misturadas a edifícios e casas sem graça, a viadutos e elevados cortando tudo sem muito sentido, uma espécie de LEGO árabe-africano em vários tons de bege e marrom. O rio Nilo aparece escuro aqui e ali, mas a cacofonia urbana parece engolir tudo. Junto com uma infinidade de gatos soltos por toda parte e cães uivando fora de controle. Os milhões de habitantes pendurados em motocicletas e uma infinidade de carros e ônibus que abrigam gente vestida a moda ocidental e oriental, não há regra ou consenso. Mulheres de burca, hijab, ou cabeça descoberta, homens com ou sem turbantes, um saladão de estilos. Por ser país de maioria muçulmana, claro que há muita mesquita, mas menos do que outros na região e de longe, o único em que se pode ver igrejas cristãs em números significativos. Até nisso a mistura é absoluta. Também vi mais mulheres trabalhando que que em outros países do Oriente Médio. As duas funcionárias da imigração, chegada e saída, eram moças de hijab preto, muito sérias e eficientes. No hotel e nos museus, várias vestidas a caráter ou não, mas trabalhando. Não se sente a segregação de gênero típica de outros países da região. O GEM, objetivo das arriscadas microférias não desapontou. Fiquei cinco horas lá dentro e me deslumbrei com a arquitetura que conversa com as três pirâmides ao redor, que remete a elas o tempo todo, pois tudo no museu é pirâmide dentro de pirâmide. Tive a impressão de que o projeto quer reviver a sensação de estar dentro de Quéops, Kefrem e Mikerinos nos tempos do antigo Egito, partilhar de seus tesouros, dos mistérios da vida após a morte, para a qual a turma daquela época se preparava em alto estilo. O acervo é maravilhoso e agora todos os tesouros de Tutancâmon estão juntos num espetacular andar dedicado a ele, tudo maravilhosamente exposto em meio a tendas que fazem efeitos de dourado e preto, fornecendo assim uma iluminação adequadamente fantasmagórica ao lugar. Pelas enormes escadarias principais se desvela a majestade dos faraós e seus magníficos acessórios e história. As galerias são abertas e tudo é muito fácil de visitar. Apesar de grande, o museu é de simples navegação, tudo faz sentido. No térreo tem belas lojas, joalherias poderosas, comida local e estrangeira, tudo junto e ao mesmo tempo convenientemente apartado dos tesouros. Há uma infinita oferta de banheiros, o que é vital em lugar deste porte. Há muitos visitantes, mas os ingressos têm hora marcada e a coisa flui harmoniosamente. Desnecessário dizer que há um exército de funcionários e seguranças por toda parte. Das janelas que dão para o deserto, as pirâmides estão ali, dominando tudo. Pode-se sair e vê-las de perto, sem estar à mercê dos alugadores de camelos e outros chatos de plantão. Há também uma construção menor, mas não pequena, dedicada exclusivamente aos barcos reconstruídos e encontrados pertos das pirâmides, um incrível projeto em grande parte possível devido a uma boa parceria com técnicos e governo japoneses. Fui para ver o GEM, bucket list total. E voltei ao velho Museu do Cairo, onde já tinha estado duas vezes. Continua velho, misterioso, empoeirado e fascinante em sua total atmosfera de Morte no Nilo, da saudosa Agatha Christie. E para minha surpresa, o acervo continua maravilhoso. Um verdadeiro milagre considerando-se que nem a parafernália do Rei Thut e nem as múmias reais estão mais por lá. O Egito tem tantos tesouros que mais um, menos um, não faz diferença, existe sempre o que ver, admirar, embasbacar e viajar no tempo. Não creio que volte mais ao Egito nesta encarnação. Mas quem sabe nas próximas? Já tenho as dicas dos faraós. São Paulo, 07 de abril de 2026. Dia que o presidente americano alega ser o último antes da aniquilação total do Irã. Quem viver verá...

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