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quarta-feira, 8 de abril de 2026

ARTICO NORUEGUES - AURORA BOREAL - MARÇO 2026

VOLTA AO ÁRTICO – NORUEGA MARÇO 2026 Lá voltei eu, um ano após Finlândia, uns 5 depois do Ano Novo na Islândia, uns 7 posteriores ao outono na Islândia e 13 anos depois do Grand Tour pelos países escandinavos no final de janeiro. Devo gostar de frio e climas inóspitos, certo? Em parte. Gosto mesmo é das sensacionais paisagens, do mundo de silencio e escuridão contrastando com a neve brilhante nos poucos momentos de sol. Gosto dos altos níveis de civilização destes países, seu forte senso comunitário, ético e sua paixão por atividades físicas e literatura. No ano passado me espantei com o altíssimo nível das produções cênicas de Helsinque e este ano, com uma versão moderna de Don Carlo, na arrojada Opera de Oslo. E põe arrojado nisto no fabuloso museu Munch, obra de arte arquitetônica moderníssima, pertinho da ópera, na única área interessante de Oslo, que é a orla e porto. O resto é cinza, tedioso e a capital norueguesa é a que menos gosto das cinco Nórdicas. Aproveitando um grupo pequeno de seis pessoas or ganizadao pela Freeway, agência de São Paulo em cujos grupos me encaixo, há uns seis anos, anualmente, parti a Alta, uma cidadezinha fofa bem perto do Cabo Norte, o ponto mais perto do Polo Norte do continente europeu. O objetivo era ver tal marco geográfico, frustrado pela neve, cinza e neblina constantes. Valeu pelo belo trajeto, pela escolta obrigatória de um enorme caminhão neve-escavadeira que abre caminho até o monumento e ótimo centro de visitantes. É uma rara sensação de aventura, sem ser. Tudo é organizado com muita segurança, tendo em mente um turismo ao mesmo tempo ousado, pero no mucho... Na sequência, Tromso, uma linda cidade com importância histórica, artística e geográfica. Centro antigo de pesca norueguês, hoje vibrante cidade com boas opções culturais, bonito centro antigo, belas igrejas, paisagens deslumbrantes. O bom do final de março é que ainda há muita neve por toda parte, mas os dias são longos e bem mais ensolarados. O ponto alto da viagem, alvo principal e ainda mais longínquo era Solvaer, capital das divinas Ilhas Lofoten, que além de lindas, oferecem o melhor bacalhau do mundo, aquele bem caro da Noruega. E como dizem os portugueses: as Ilhas Lofoten têm o bacalhau, mas nós temos a receita. Com certeza, pois na Noruega a comida é uma sem-graçeira sem fim e o bacalhau de lá, a moda portuguesa é incrível. Solvaer é bonita, pequena, modernosa e com uma mini orla cercada de picos altos, nevados e refletidos nas profundas águas calmas dos fiordes. De lá partimos para várias visitas a pequenos vilarejos onde o bacalhau ainda é pescado e seco ao ar livre. Em algumas, há interessantes museus sobre a história deste bizarro peixe e a importância que teve e ainda tem, na economia do país. Interessante e exótico. Nossa última cidade foi Harstad, que já conhecia e tinha adorado. O local presenteou nosso grupo com uma maravilhosa Aurora Boreal, apenas meia hora de um show de tons de verde, uma enorme pluma bruxuleante no céu muito escuro e estrelado, com as montanhas nevadas emoldurando a natureza refletida nas águas do mar gelado da Noruega. Como já havia escrito antes, em artigos prévios sobre o Ártico, a indústria da Aurora é um conto do vigário dos maiores, coisa das mídias sociais e dos emergentes genéricos que por lá pululam. Os trouxas acreditam que é só pagar o pacote e a Aurora está no papo. Ledo engano. Em dezenas de oportunidades que tive o privilégio de vivenciar nestes 14 anos de Ártico, só via a Aurora 3 míseras vezes. É como ver tigre dando sopa na floresta, jiboia engolindo bezerro no Pantanal, neve em Gramado e outras aparições que só dependem da Mãe Natureza, criatura que os seres humanos, tentam em vão controlar... São Paulo, 8 de abril de 2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

MICROCATIONS OU MICROFÉRIAS EGITO MARÇO 2026

Microcations ou Microférias EGITO MARÇO 2026 Como prometido recentemente, agora escrevo sobre meu mais novo e ousado plano de microférias, um sonho plenamente realizado e cem por cento bem sucedido. Em plena época de guerras, contra qualquer lógica e bom senso, só fazendo uma escolha baseada em fatos e probabilidades. E la mano de Diós, como dizia o finado Maradona... No último dia de fevereiro, o tresloucado presidente americano declarou guerra ao Irã, em grande parte ajudado por outro louco de corrente, o presidente de Israel. Neste dia, eu já tinha tudo pago e planejado para visitar o Egito por duas noites, dias 29 e 30 de março, com o intuito único e absoluto de conhecer o GEM, o mais novo museu de história egípcia, finalmente inaugurado após vinte anos de batalhas de vários tipos. O que fazer com tudo pago e planejado? Resolvi monitorar a situação no Golfo da Pérsia e arredores, diariamente, baseada em várias fontes de informação e canais de mídia diferentes, para ver se a guerra se alastraria além Golfo. Por sorte isso não aconteceu e no dia 29 passado voei de Oslo a Istambul, me deliciei com as compras de guloseimas no Old Bazaar no aeroporto da capital turca e cheguei ao Cairo uma hora e meia depois. Optei por visto eletrônico prévio, tarefa inglória, mas possível e não houve qualquer problema na imigração. O motorista do hotel Steinberger me esperava na saída e passei a primeira noite em pleno Tahrir Square, a praça principal da enorme, interessante e exótica capital do Egito. Este lugar é famoso por abrigar a Opera House e o Museu do Cairo, além dos melhores hotéis da cidade. Foi palco dos protestos políticos mais importantes do país, como a Primavera Árabe de 2011. Estive ali em 2007 e está cada vez mais movimentada e fascinante. Ainda é muito difícil aos pedestres atravessarem as enormes ruas que para lá convergem, mas a gentileza e simpatia do povo egípcio ajuda muito. Ainda é o coração da cidade que já tem mais de 20 milhões de habitantes e faz o trânsito de São Paulo parecer cidade do interior em comparação. Como o GEM é muito perto das pirâmides e longe do centro, ficar presa dentro do táxi faz parte da aventura e pode-se observar a arquitetura caótica da cidade, um sem fim de favelas misturadas a edifícios e casas sem graça, a viadutos e elevados cortando tudo sem muito sentido, uma espécie de LEGO árabe-africano em vários tons de bege e marrom. O rio Nilo aparece escuro aqui e ali, mas a cacofonia urbana parece engolir tudo. Junto com uma infinidade de gatos soltos por toda parte e cães uivando fora de controle. Os milhões de habitantes pendurados em motocicletas e uma infinidade de carros e ônibus que abrigam gente vestida a moda ocidental e oriental, não há regra ou consenso. Mulheres de burca, hijab, ou cabeça descoberta, homens com ou sem turbantes, um saladão de estilos. Por ser país de maioria muçulmana, claro que há muita mesquita, mas menos do que outros na região e de longe, o único em que se pode ver igrejas cristãs em números significativos. Até nisso a mistura é absoluta. Também vi mais mulheres trabalhando que que em outros países do Oriente Médio. As duas funcionárias da imigração, chegada e saída, eram moças de hijab preto, muito sérias e eficientes. No hotel e nos museus, várias vestidas a caráter ou não, mas trabalhando. Não se sente a segregação de gênero típica de outros países da região. O GEM, objetivo das arriscadas microférias não desapontou. Fiquei cinco horas lá dentro e me deslumbrei com a arquitetura que conversa com as três pirâmides ao redor, que remete a elas o tempo todo, pois tudo no museu é pirâmide dentro de pirâmide. Tive a impressão de que o projeto quer reviver a sensação de estar dentro de Quéops, Kefrem e Mikerinos nos tempos do antigo Egito, partilhar de seus tesouros, dos mistérios da vida após a morte, para a qual a turma daquela época se preparava em alto estilo. O acervo é maravilhoso e agora todos os tesouros de Tutancâmon estão juntos num espetacular andar dedicado a ele, tudo maravilhosamente exposto em meio a tendas que fazem efeitos de dourado e preto, fornecendo assim uma iluminação adequadamente fantasmagórica ao lugar. Pelas enormes escadarias principais se desvela a majestade dos faraós e seus magníficos acessórios e história. As galerias são abertas e tudo é muito fácil de visitar. Apesar de grande, o museu é de simples navegação, tudo faz sentido. No térreo tem belas lojas, joalherias poderosas, comida local e estrangeira, tudo junto e ao mesmo tempo convenientemente apartado dos tesouros. Há uma infinita oferta de banheiros, o que é vital em lugar deste porte. Há muitos visitantes, mas os ingressos têm hora marcada e a coisa flui harmoniosamente. Desnecessário dizer que há um exército de funcionários e seguranças por toda parte. Das janelas que dão para o deserto, as pirâmides estão ali, dominando tudo. Pode-se sair e vê-las de perto, sem estar à mercê dos alugadores de camelos e outros chatos de plantão. Há também uma construção menor, mas não pequena, dedicada exclusivamente aos barcos reconstruídos e encontrados pertos das pirâmides, um incrível projeto em grande parte possível devido a uma boa parceria com técnicos e governo japoneses. Fui para ver o GEM, bucket list total. E voltei ao velho Museu do Cairo, onde já tinha estado duas vezes. Continua velho, misterioso, empoeirado e fascinante em sua total atmosfera de Morte no Nilo, da saudosa Agatha Christie. E para minha surpresa, o acervo continua maravilhoso. Um verdadeiro milagre considerando-se que nem a parafernália do Rei Thut e nem as múmias reais estão mais por lá. O Egito tem tantos tesouros que mais um, menos um, não faz diferença, existe sempre o que ver, admirar, embasbacar e viajar no tempo. Não creio que volte mais ao Egito nesta encarnação. Mas quem sabe nas próximas? Já tenho as dicas dos faraós. São Paulo, 07 de abril de 2026. Dia que o presidente americano alega ser o último antes da aniquilação total do Irã. Quem viver verá...

domingo, 15 de março de 2026

LONDRES, VIENA, BERLIM E DRESDEN - FEVEREIRO 2026

INVERNO EM LONDRES, VIENA, BERLIM e DRESDEN FEVEREIRO 2026 Viajar no inverno europeu tem as óbvias desvantagens do frio, neve, chuva, cinza, mas vantagens interessantes como menos turistas, temporada de ópera e teatro, alguns preços mais módicos. Começamos por Londres e a infernal chuvinha. Atrapalha atividades ao ar livre e caminhadas mais ambiciosas, mas as atrações de museus, restaurantes e shows compensa qualquer coisa. O highlight dos palcos foi a estreia de Shadowlands, peça maravilhosa sobre a vida do escritor C.S. Lewis. Um privilégio estar na cidade e participar de um evento assim, motivadas pelo estrelato e proficiência de Hugh Bonneville e Maggie Siff. Por coincidência, tínhamos entradas para visitar Highclere Castle, cenário de sonhos da magnífica série Downton Abbey. O castelo vale muito a visita para quem é fã da série, se não for, considere: 1 – uma hora de trem de Londres. 2 – táxi da estação ao castelo. 3 – comida e loja fracas no castelo. 4 – não se pode entrar com mochilas ou sacolas e não há guarda volumes. Para os admiradores do programa televisivo, aqui vai: 1 – o castelo é ainda maior e mais bonito do que no seriado. 2 – a visita guiada é muito interessante e as histórias contadas pelos excelentes guias, bem interessantes. 3 – a propriedade, uma fazenda bem inglesa, em pleno funcionamento, é verde e grande, local divino. 4 – há um pequeno museu egípcio no subsolo, fascinante devido ao fato de que um prévio morador e proprietário do castelo, o Conde de Carnarvon, foi quem financiou e co-descobriu com Howard Carter, a tumba de Tutancâmon no Egito. 5 – tudo em Highclere é real, vivo. A família e os próprios condes moram lá e criam cavalos, vários deles pertencentes a família real. Não se tem a sensação fake de coisa de Hollywood. O bate-volta de Londres é perfeitamente viável, boa oportunidade para ver um pouco o belo interior da Inglaterra. A próxima parada do trajeto foi Viena e sua deslumbrante ópera, duas noites inesquecíveis no hotel bem localizado, Grand Ferdinand. A pé para ver Luisa Miller de Verdi e Jewels de Balanchine. Tudo entremeado por tortas Sacher, bolos fenomenais na confeitaria Gerstner, Wiener Schnitzels (bife à milanesa austríaco), a sobremesa das 1001 noites, Kaiserschmarm, no Figelmüller e principalmente no Plachuttas, os dois bem perto do centro. Ao lado do palácio da Sissi fomos ver o espetáculo único e inesquecível dos cavalos dançantes, os Lipizaners. Para os apreciadores destes animais e da equitação, vale o caro ingresso. Do lado barato, quase inexistente, claro, está a Zara em frente à imponente catedral. É melhor do que a Zara na Espanha, preços incríveis e qualidade superior a maioria das lojas da cadeia. Viena é mais razoável em termo de custos do que Londres, mas não tanto quanto Berlim e Dresden, destinos a seguir. Minha terceira vez em Berlim em um ano, não canso, apesar do clima sempre horrível e cinzento. As orquestras, concertos, cenário musical clássico são fabulosos e a história deste palco de guerras e conflitos internacionais é sempre atual. Caminhar em meio as construções sóbrias e modernas pontilhadas do pouco que sobrou de tantos bombardeios, só existe lá, one and only. A cidade reinventada, reconstruída e replanejada tantas vezes, uma capital mais do que digna para um país do porte e importância da Alemanha; com um ar informal e multicultural, ao mesmo tempo alternativo e elegante. Desta vez retornamos à loja de departamentos mais interessante e atmosférica da Europa, a sensacional KDW. Traduzindo do alemão, o “centro de compras ocidental”. O nome é um tanto ambicioso e antiquado, mas o lugar é bem sortido, iluminado, fácil, convidativo. O piso gourmet é um sonho de lojas de comidas divinas, restaurantes que vão dos frios até os frutos do mar, um display alucinante que engorda e encanta só de olhar. Se eu tivesse que recomendar experiencias vitais em Berlim, o muro da Guerra Fria, a Sinfônica e o Humbolt Forum estariam na dianteira por importância histórico cultural. Mas para “tirar a barriga da miséria” nada como refeições apetitosas e compras bacanas na KDW. Nosso último destino foi Dresden e seu centro histórico muito bonito. Bem fácil de trem de Berlim, perfeitamente viável como programa de dia inteiro. A cidade encanta as margens do rio Elba, com construções maravilhosas, perfeitas e germanicamente restauradas. A Ópera de Dresden é uma beleza, mas não tivemos sorte com Dialogues des Carmelites, obra bastante tediosa. Nem tudo pode ser perfeito numa viagem. Esta com minha irmã, foi quase! São Paulo, 15 de março de 2026.

sábado, 7 de março de 2026

MICROCATIONS OU MICROFÉRIAS - NOVA YORK E RIO DE JANEIRO

MICROFÉRIAS – NOVA YORK E RIO DE JANEIRO Ou escapadas rápidas, como preferirem. Recentemente o jornal The New York Times publicou matéria sobre a nova tendencia americana as “microcations”, mix da palavra micro com vacations, em inglês. Como a grande maioria dos norte-americanos só tem poucos dias de férias pagas ao ano e tem uma cultura de trabalho intensa e competitiva, as microférias fazem sentido. São uma quebra de rotina, um relax curto, sem gastar muito. A coisa funciona assim, em sua forma ideal; usa-se milhas para voos, gasta-se pouco com hotéis, o que é bom em destinos caros, e as visitas a museus, shows, parques e restaurantes fica condensada e eficiente, pois as férias breves precisam ser bem planejadas para serem eficientes. Uma maratona organizada e feliz. No final do ano passado, testei a teoria em Nova York e deu muito certo. O sucesso se deve em boa parte, ao fato de eu conhecer bem a cidade e saber exatamente o que fazer e aonde ir. Duas noites no avião e duas no hotel. Como os voos chegam muito cedo e partem a noite, o itinerário pode abranger bastante coisa. Quatro peças de teatro, compras, boas caminhadas e três restaurantes. Dois filmes maravilhosos, experiencia que em cinemas americanos e sua imbatível tecnologia, tende a ser bastante diferente de cinemas comuns. Fora a pipoca americana! Deu até tempo para um corte de cabelo em uma barbearia antiguinha do Upper West Side, aquelas com o sinal luminoso rotativo vermelho e branco. Uma profissional das Filipinas fazendo os cortes femininos, um russo mal humorado no caixa, só aceitavam dinheiro vivo, nada de cartões. Toda viagem tem seu toque pitoresco. Aliás, viajar hoje em dia está mais complicado e não menos, como pensam os inexperientes, em relação a pagamentos. Não se aceitam cartões de crédito ou débito em vários lugares do mundo, mesmo os mais civilizados. Sempre vai ter uma situação, de qualquer tipo, que vai exigir as boas e velhas notas em espécie. Pagamentos via celular também não são ainda universais. Outro ponto muito importante das microférias é escolher localização do hotel, aeroporto e meios de transporte. Em Nova York, por exemplo, depender de táxi ou Uber é uma furada gigante por causa do trânsito parado. Metrô e trens tornam tudo mais fácil. Newark e La Guardia são bons aeroportos, JFK uma ratoeira terrível. Cansativo o programa? Nem tanto, em voos noturno e fuso horário curto entre os EUA e o Brasil. Em termos de estação do ano, o final do outono, especialmente novembro, é mais vazio, preços melhores e o frio ainda não é inclemente. E as milhas funcionam melhor com menos movimento nas companhias aéreas. No primeiro final de semana de dezembro, exercitei a teoria das microférias no Brasil, com algumas horas deliciosas no Rio. Um sábado, estudando a meteorologia para evitar chuvas e calor medonho. Voo matutino, volta no final da tarde. Programa maravilhoso e como moro perto de Congonhas, a eficiência da logística é perfeita. No Rio, num sábado, os Ubers funcionam bem, o trânsito é ameno e não há o susto dos tenebrosos táxis cariocas. Nada de pagar hotel a preços extorsivos e nem sequer cheguei perto de qualquer praia lotada. O mar eu vi do maravilhoso MAR e do Museu do Amanhã, dois lugares imperdíveis. O meu objetivo no Rio era conhecer o restaurante Sud Pássaro Verde, da chef gaúcha Roberta Sudbrack. Comida espetacular, lugar adorável, vale a viagem. Fora as deliciosas caminhadas pelas ruas frescas e aprazíveis do Jardim Botânico. Aliás, o segredo para o sucesso das microférias é o foco: ter objetivos principais e trabalhar em função disso. Priorizar e depois... É só aproveitar! Meu próximo projeto de microférias é o Cairo, cujo foco é exclusivamente o GEM. Quem viver verá... São Paulo, 07 de abril de 2026.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

JAPÃO TROPICAL - OUTUBRO 2025

LUGARES DO CORAÇÃO – JAPÃO TROPICAL OUTUBRO 2025 Três anos seguidos de idas felizes ao Japão, sempre no começo do outono, sempre interessante e divertido, como é, quase sempre, com o que chamo de “lugares do coração”. Viagens possíveis superando distâncias desanimadoras, aprendendo muito graças a amabilidade, limpeza e organização do povo japonês. Missão impossível para uma senhorinha de quase 70 anos, viajando por conta própria, sem falar o idioma local. Claro, com inglês fluente e experiencia extensa de viagens. Mas sem a ajuda diária dos nativos nas estações de trem, ônibus, barcos, táxis, ruas, hotéis e aeroportos esta adorável jornada não teria ocorrido, não teria sido tão maravilhosamente prazerosa como foi. Três lugares me motivaram a voltar este ano: Naoshima, Kobe e Okinawa. Com o apelo dos últimos dias da Expo Osaka 2025, primeira parada japonesa. Comecei por Osaka, cidade que a cada vez gosto mais, apesar de não ser bonita e nem ter grande apelo turístico. Voei Dubai-Osaka, boa ideia com a Emirates e já direto a Expo, sensacional! Tive uma prévia na Japan House em São Paulo, sobre a Exposição Mundial que este ano ocorreu em Osaka, pela segunda vez. Nunca estive até então em tais eventos, em geral caros e difíceis de navegar, tipo Olimpíadas ou Copas do Mundo. Também nunca tive grande interesse por isso, pois não sou adepta de esporte algum. Talvez por isso, a Expo Osaka me atraiu; por ser no Japão, por ser sobre arquitetura sustentável, possível, acolhedora de maneira gigantesca, enfatizando simplicidade, bom senso, tecnologia e nada de luxo. Os países expositores, em grande maioria, gastam muito dinheiro no marketing de seus potenciais turísticos e econômicos, culturais, gastronômicos, com toque políticos e ufanistas aqui e ali. Tudo muito interessante e grandioso, o pavilhão do Brasil bombando e filas enormes para quase tudo, até para tomar suco Maguary e as óbvias poções de açaí e cafés variados. Porém, para uma pessoa viajada como eu, a visita não seria justificável sob o aspecto de “conhecer outros países sem pisar neles”, pois já estive ao vivo e a cores na maior parte deles. O grande apelo para mim, o que me maravilhou e entusiasmou, foi o enorme círculo da Expo Osaka, o Grand Ring; estrutura de madeira, tipo Lego gigante, de uma simplicidade e sensatez nunca vistas, abraçando todos os pavilhões e possibilitando vistas espetaculares das passarelas superiores, uma espécie de High Line japonesa, mas circular, com circunferência de dois quilômetros. Uma caminhada sensacional, cercada de jardins e efeitos visuais que pareciam flutuar em volta dos pavilhões, do gigantesco porto de Osaka, do mar e das montanhas da região. Não precisou mais nada, valeu a viagem! O propósito da estrutura foi simbolizar união através da diversidade e os efeitos de luz à noite pareciam coisas de outros planetas. Bem, o Japão é quase um planeta a parte no seu desenvolvimento e sensatez. Coisas que eles aprenderam a duras penas através de guerras e séculos de problemas e duras lições. Aspecto que me levou a Okinawa, o extremo sul do arquipélago japonês. O Japão é um país pequeno em território, mas bem extenso de norte a sul, indo da Rússia até a China, portanto muito diverso. Estive em Hokkaido, no norte, no ano passado e quis muito visitar o sul, Okinawa, o que ocorreu agora. Okinawa é o Havaí japonês, quente, úmido, lindas praias, mar azul e vegetação deslumbrante. O povo é mais informal, se vestem mais como cariocas do que como os ascetas elegantes de Toquio, tem um ritmo de vida mais tranquilo do que no resto do país, onde trabalham e correm o tempo todo. Por isso, Okinawa pertence a lista das Blue Zones, onde índices de longevidade são altos como na Sardenha ou Grécia. Vida tranquila, comunitária, boa alimentação e padrão de vida. Não tem segredo. Já estive em todas as Blue Zones e clima quente, brisa do mar, falta de estresse e bons papos fazem as pessoas viverem mais e melhor. Sem luxo, com qualidade e condições sócio econômicas decentes. Coisa que no Brasil, temo, jamais ocorrerá... O que vi de Okinawa foi a ilha principal de mesmo nome e sua gostosa capital, Naha. Dois tours organizados em ônibus com guia falando praticamente só japonês, de 11 horas cada, em dias consecutivos, me possibilitaram conhecer o resto da ilha e as belas florestas e o aquário que é considerado um dos mais importantes do mundo. Legal, mas não tão incrível como o de Osaka. Há lindas praias de areia clara por toda parte, mas pouca gente nelas. As 160 ilhas do arquipélago do sul têm uma população de cerca de 1.5 milhões de habitantes, deserto perto dos 120 milhões aglomerados no resto do Japão. Em Naha visitei museus de história e arte maravilhosos, me deliciei com as frutas de lá, com o limãozinho pequeno e feio cujo gosto é delicioso e cujos supostos benefícios para a saúde são quase mágicos. Anotem o nome do milagre: shikuwasa. Mas em termos gastronômicos, o melhor mesmo, para quem gosta, claro, é o sashimi do Fish Market, o pequeno mercado de peixes fresquinhos, a beira mar, similar ao de Tóquio, mas bem menor e super agradável. Vieiras, atum e salmão crus, antes das 9 da manhã e uns golinhos da cerveja icônica de Okinawa, a Orion, são um café da manhã exótico e maravilhoso! Tem louco/a para tudo... Umas das experiencias mais marcantes em Naha foi a visita ao antigo quartel da marinha japonesa e o memorial triste da Batalha de Okinawa, onde milhares de japoneses perderam suas vidas para a insensatez da guerra com os americanos. O monumento, túneis, museu, vídeos, tudo super interessante. Está instalado em meio a um parque bonito e verde, no topo de uma colina, com vistas belas da ilha. Imperdível. Bem como o castelo Shurijo, o cartão postal do lugar. Foi quase todo destruído na Segunda Guerra Mundial, mas agora está esplendoroso e restaurado, magnífico em seus toques mais chineses e vermelhos do que propriamente japoneses e seus dragões ameaçadores que parecem engolir o telhado principal. O mausoléu de antigos líderes locais, parte do complexo do castelo, é o toque japonês e discreto contraponto ao vigor assertivo do castelo. Caminhar por Naha é ver tudo isso, todas as atrações acima citadas são caminháveis para quem enfrenta o calor e as colinas. Vale o esforço. Na cidade não há praias e para quem quer aproveitar isso, é necessário sair de lá ou tomar barcos a outras ilhas. O que vi em termos de hotel de praia, não é exatamente a “praia” dos brasileiros. Hotéis muito grandes, sem charme, pequenas praias perto, cheias de gente mais vestida do que em trajes de banho. Para mim não importou, pois eu não iria tão longe para fazer vida praiana. O lado sócio cultural do Japão é bem mais interessante. Antes das seis noites no sul do país e ainda baseada em Osaka, visitei Kobe e Naoshima. A primeira é relativamente pequena e charmosa, muito agradável e bonita. Comi o famoso Kobe beef no estupendo hotel Oriental, com direito a bolinhos de caranguejo escuro de entrada e o melhor e mais leve cheesecake da minha vida como sobremesa. Compensou o investimento. Kobe é 10 minutos de trem bala, meu amado Shinkansen, de Osaka. Na estação de trem você já pega um ônibus turístico verde e antiguinho e conhece tudo em uma hora de percurso. Depois, caminhadas e show de jazz grátis na praça. Delícia... Por último, escrevo sobre Naoshima e meu encanto pela ilha das artes, tão famosa no mundo todo. Adorei, quero voltar, pois há várias ilhas na região chamada Inland Sea, mar interior, perto da feia cidade de Okayama. Bom, perto, não é bem o termo, pois Naoshima é uma ilha longe de tudo, parte de um grupo de ilhas que eram bonitas e foram degradadas por poluição industrial de vários tipos. O Grupo Benesse, fundação japonesa de grande porte, recuperou tudo, engajou os poucos gatos pingados que moravam nas ilhas a se interessarem por arte e trabalharem em prol de um turismo que visa única e exclusivamente arte. O resultado é magnífico e há vários museus interessantíssimos, arquitetura do icônico arquiteto japonês, Tadao Ando, com acervos e mostras geniais. É por lá que ficam pairando entre o mar e a terra as abóboras de Yayoi Kusama, os símbolos tão conhecidos de Naoshima. Mas, apesar de toda minha experiencia percorrendo nosso pequeno planeta, cometi o grave erro de pensar que Naoshima era Hakone ou Inhotim e passei apenas algumas horas ali. Frustrante. A ilha é grande, montanhosa, difícil de percorrer só a pé. Para os bicicleteiros, um paraíso. Não há quase outro tipo de transporte e só pude ver mesmo o New Museum, espetacular, seu ótimo restaurante, vistas lindas e a vilazinha pitoresca e super japonesa, Honmura. Pouco. Mas para ver tudo e as outras ilhas onde também existem várias das obras de arte importantes, é necessário, pelo menos 4 dias. Ver tudo isso com calma e bom planejamento, voltar a Kanazawa e Takayama, será meu presente de aniversário dos 70 anos que completarei em janeiro. Bem vividos. E viajados! São Paulo, 28 de outubro de 2025

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

LONDRES SHOW - SETEMBRO 2025

LONDRES – LUGARES DO CORAÇÃO – SETEMBRO 2025 Cinco dias nesta cidade querida e interessante após 13 na chata Irlanda. O contraste não poderia ser mais marcante e Londres ganha fácil. Minha segunda vez este ano, com direito a duas peças teatrais que já havia visto anteriormente, mas que valeram a volta, coisa que raramente faço: a hilária The Book of Mormon, em versão britânica ainda melhor do que o original americano. Witness for the Prosecution continua a surpreender, a mágica de Agatha Christie que envolve, mesmo a gente já sabendo do desfecho do final da história. Como fui com meu marido, que não conhecia Londres, turistamos no busão Hopp On Hopp Off, nas caminhadas clichê pelo Big Ben e palácio de Buckingham e de novo na London Eye. O toque de novidade ficou no Churchill War Rooms e a história fascinante da participação britânica na Segunda Guerra Mundial. Também embarcamos no Uber Boat com destino a Greenwich, visitando os maravilhosos museus que mostram o esplendor da marinha e ciência britânicas. Com direito a comida ruim de pub e whisky na hora do almoço. Visitar o lugar por onde passa a imaginária linha do Meridiano de Greenwich é uma experiencia singular e imperdível. Nada com viver história no lugar em que foi criada... No campo gastronômico continuamos apostar nos indianos Masala Zone e Farzi e desta vez a culinária excelente, bem inglesa e super moderna do Old Queen Street Café nos surpreendeu e encantou. Bem pertinho da prefeitura de Westminster, o coração da cidade. Uma circunstância inesperada de longa greve do metrô londrino, acabou sendo um raio X involuntário da cidade, pois as ruas estavam lotadas de gente, ônibus idem e pudemos observar a ‘verdadeira’ Londres, repleta de imigrantes africanos e asiáticos. Uma versão da Commonwealth na vida real. Com direito a muçulmanos orando em plena Oxford Street e música levantina acompanhando. Algo a se pensar na capital do Império Onde o Sol Nunca Se Põe, como era conhecido o agora alquebrado Império Britânico, que mesmo sem a antiga glória é um dos lugares mais intrigantes deste nosso sofrido planeta. São Paulo, 17 de setembro de 2025

Irlanda - agosto e setembro 2025

IRLANDA VERDE E TEDIOSA – AGOSTO/SETEMBRO 2025 Sempre tive curiosidade em conhecer a terra de James Joyce, de Pierce Brosnan, de Cillian Murphy. País celeiro de grandes artistas em diversas áreas, da icônica cerveja Guiness, da influência enorme no inglês falado nos Estados Unidos, de fomes épicas que moldaram Nova York e Boston, por exemplo. Tudo nas minhas expectativas sonhadoras e irrealistas da minha fértil imaginação. Mais um país” inventado” por mim... Na realidade, a Irlanda é um país de fazendinhas bem cuidadas, vaquinhas e carneiros e um clima pavoroso onde chove o tempo todo. O grande verde tem seu preço e foi o último país europeu que me faltava conhecer. Valeu, mas não voltaria. Dublin, que eu sonhava ser uma cidade mítica e fascinante, na verdade é uma cópia pequena e perrengue de Londres, com comida ainda pior do que a britânica e whisky não tão bom quanto o escocês. A capital do país perde de longe para a vizinha Edimburgo, por exemplo e é de chorar de mixuruca se comparada a Londres. Cork é razoável e só gostei mesmo de Galway, na costa oeste. Alegre e bonita, movimentada e povo muito aberto e falante, a cidade a beira mar é uma festa constante de música e bares. Aliás, povo e música são as melhores coisas da Irlanda. As paisagens de falésias e penhascos é bonita, alguns sítios arqueológicos são muito interessantes, como Newgrange e Glendalough. Mas alerta aos sonhadores, que como eu esperavam maravilhas e mistérios da antiga cultura celta pululando por toda parte. Ledo engano, visto que a maior parte de igrejas, monastérios, monumentos e sítios arqueológicos é uma amontoados de pedras cinzentas, que, no máximo, dão um ar Game of Thrones aos lugares, mas acaba sendo quase monocromático com céu quase sempre cinzento, bruma, chuva, ventos furiosos, ruínas também cinzas e o verde eterno. O mar é escuro e bravo, falta colorido e contraste. E falta muita restauração, pois tudo foi desabando com o passar do tempo, tornando o entorno algo melancólico e triste. Por isso os grandes escritores e produção cultural farta: o lugar é um tédio e usar a imaginação foi o que restou aos simpáticos e talentosos nativos. São Paulo, 17 de setembro de 2025