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sábado, 11 de setembro de 2021
HAMBURG 2021 A CIDADE MAIS PODEROSA E AGRADÁVEL DA ALEMANHA
HAMBURG
A cidade que deu o nome relacionado ao sanduíche mais famoso do mundo, é uma delícia. Provei um hambúrguer por lá, fiz absoluta questão disso assim que cheguei à cidade e constatei que não é o melhor do mundo. Fiz questão de ir a um restaurante modernoso, mas muito típico, o Altes Mädchen, para verificar. O hambúrguer bateu asas e como o futebol, inventado na Inglaterra, alçou voo próprio e foi aperfeiçoado em outros países como Brasil e EUA.
Mas não foi pela bobagem acima que passei cinco dias em Hamburgo, maravilhosa cidade no norte da Alemanha. Quis conhecer este lugar que minha irmã caçula adora e escolhi o verão para evitar o congelamento das outras épocas. Decisão acertada, pois mesmo na segunda quinzena de julho, o lugar é frio, cinzento e venta muito. Nada que atrapalhe tanto o desfrutar desta cidade com C maiúsculo, minha favorita na Alemanha. Conheço Munique e Berlim, além de Dresden, lugares bastante interessantes, mas sem a classe, o charme e a ousadia de Hamburg (o nome em alemão e inglês, que prefiro à versão portuguesa).
Me hospedei no hotel Barceló, perto da estação ferroviária principal, pois fui de trem até lá vinda de Zurich. Não conhecia a cadeia espanhola e adorei a escolha. Excelente custo benefício. Aliás custo-benefício é um dos grandes atrativos da cidade. Assisti a dois belos concertos de órgão em importantes igrejas de lá e paguei 10 euros cada. Museus, de 10 a 14 o ingresso, boas refeições por volta de 28 euros. Preços muito camaradas se comparados aos da Suíça, França ou Inglaterra.
Hamburg é também famosa por seu porto muito importante e fazer um passeio de barco pelo rio Elbe dá uma boa idéia da magnitude das instalações. Por 20 euros o trajeto de barco por meio a belos navios de cruzeiro e monstruosos cargueiros chineses repletos de contêineres é fascinante. Sai às 10 da noite e é um programão. Bem como a visita a Filarmônica, o estonteante edifico misto de hotel e sala de espetáculo, a Elbephilarmonie. Hoje em dia é o cartão postal da cidade e vai a dica do drinque no hotel Westin, com vistas perfeitas da cidade, sem ter que necessariamente assistir a um dos caros e concorridos espetáculos de musica clássica.
Hamburg exibe vários mirantes com vistas incríveis, como o da torre da igreja principal, a St. Michaelis. A igreja é linda, os concertos celestiais e a vista imperdível. Outra vista-show, bem perto dali, é a do topo das ruínas da comovente igreja St. Nikolai. Não sobrou muita coisa depois da Segunda Guerra Mundial, mas o que sobrou é bonito e tocante. Com direito a museu e elevador ao topo da única torre remanescente.
Caminhar pela cidade é fácil, tudo plano e bem sinalizado. Rios, lagos, parques e represas por todos os lados, Hamburg é uma mistura inédita de Londres, Amsterdam, Copenhagen e Estocolmo. Nada tem de típica cidade alemã, é muito mais inglesa e nórdica e isto se reflete no povo elegante, moderno e comunicativo; simpáticos e prestativos. Por ser local portuário há muitos estrangeiros, a cidade é aberta e multicultural, encantadora. Importante centro artístico, de museus embasbacantes como a Kunsthalle a um sem numero de teatros, cinemas, arenas para shows, baladas, clubes noturnos; festa e cultura por todo lado. E muita música, pois é conhecida pelo apelido de Cidade-órgão devido ao número de órgãos sinfônicos que a cidade oferece. Mesmo nestes tempos pandêmicos a cidade não desistiu da música e os espetáculos correm soltos, com todas as precauções possíveis de distanciamento social.
A prefeitura, Rathaus, é construção do nível, ou mais bonita ainda do que a prefeitura de Paris ou Munique. Situada em bairro chique com lojas muito finas, pode ser visitada em horários específicos. Não fui por total falta de tempo, mas deve ser muito bonita por dentro também. A arquitetura em Hamburg é de vital importância e cria uma uniformidade especial em seus muitos edifícios de tijolos escuros, como a Chilehaus e o bairro bacana de Speicherschstadt. Tudo segue esta linha e as modernas construções em vidro, aço e madeira complementam tudo com harmonia e bom gosto. Muito bombardeada nas guerras, Hamburg é uma verdadeira fênix e ressurgiu das cinzas ainda mais bonita e poderosa, sendo uma das cidades mais ricas e inovadoras da Europa. Na certa, uma das mais interessantes.
O setor gastronômico de que tanto gosto é diversificado, mas comida na Alemanha não significa o mesmo que na Suíça, França e Itália. Só comi realmente bem em dois restaurantes, os mais baratos da viagem, os dois típicos alemães de maneiras distintas. O Erika’s Eck, um moquifo no bairro hippie de Schanzenviertel e o peculiar Krameramtsstubben. Este último instalado em um beco sem-saída antiquíssimo e lindo, muito preservado e atração turística top da cidade. A dica é visitar a igreja St. Michaelis e sua torre e cripta e depois ir até lá, muito pertinho.
Almocei no chique-clássico Firschereihafen, cuja comida não vale a pena e no The Cube, lugar descolado dentro do mega-museu Kunsthalle; tentei o Café Paris sem sucesso.
Hamburg é cultura, caminhadas, conhecimento, arquitetura, ótimas compras e história. Há belas praias de areia beira-rio para os poucos dias quentes do ano e o bairro-sexy-brega-arriscado, Reeperbahn fornece o toque “emoção da viagem”.
Zurique, 28 de julho de 2021.
terça-feira, 24 de agosto de 2021
LUBECK - ALEMANHA DOCE - MARZIPAN E HISTÓRIA
LÜBECK E O MUSEU DO MARZIPÃ
Pois é, em visita bem recente ao norte da Alemanha acatei a dica de uma aluna sabida e fui visitar Lübeck, que além de cidade importante é também a Meca dos confeitos de amêndoa, pelos quais sou totalmente viciada. É lá que fica a fábrica, lojas, cafés e museu do marzipã da antiga e famosa marca Niederegger. Além dos confeitos dos céus em enorme variedade de sabores, formatos e cores, há até chá de marzipã, uma festa! Para quem gosta do doce, vale a ida até a cidade só pelo prazer visual e comestível da empresa. Apesar de ser produto fácil de encontrar por toda a Europa, uma espécie de Nestlé do marzipã, preços muito acessíveis e produção gigante, a qualidade é impressionante e o nível de sofisticação idem.
Mas Lübeck é bem mais do que confeitos, é uma cidade de grande importância histórica e seu centro antigo é um dos mais bonitos da Europa. Por suas ruas estreitas protegidas por um pórtico espetacular, que de tão bonito foi tornado ainda mais famoso por Andy Wharhol que também, como eu, não resistiu ao charme eterno do Holstenthor e o eternizou em suas fotos-pinturas de vanguarda; caminha-se por vielas repletas de casinhas minúsculas em corredores idem, que nos idos de 1600 e até bem antes disso, eram moradias de artesão, de gente muito simples mesmo. Apertavam-se em espaços improváveis, cinco ou seis pessoas vivendo em cerca de 30 metros quadrados, com pouca luz e ventilação, tetos baixo, frio e humidade. Hoje em dia está tudo reformado, bonito e florido e tornou-se atração turística. Em alemão, os Gänges (corredores, passagens) e Höff es (pátios internos) são moradias reais e poucos podem ser visitados em seus interiores. Mas ver de fora já é muito interessante e na primavera e verão as flores tão carinhosamente cultivadas pelos alemães são uma explosão de cores e perfumes.
Perto das casinhas está o Museu St. Anne instalada em antigo convento e que reúne uma coleção espetacular de arte sacra com os relicários mais estonteantes que se possa imaginar, bem como exposições de arte contemporânea, coisas ousadas como mostras sobre sexo nas artes e na publicidade e a obra genial do grande ator alemão Armin Mueller Stahl. Seus quadros são contundentes e impressionantes e o vídeo com o depoimento dele sobre seus amigos judeus e a participação dele em filmes onde fez papel de nazista e de judeu, alternadamente, é comovente.
Igrejas e enormes catedrais pipocam por esta cidade tão sofrida com os bombardeios da Segunda Guerra Mundial. A igreja St Petri, quase toda destruída, é hoje centro de exibições culturais e artísticas, sem nada dentro, só pintada de branco, cor da paz. Em sua enorme torre, um mirante com vistas maravilhosas desta cidade muito plana e verde. E do que sobrou de monumentos históricos e construções tombadas. Lübeck mistura bem o antigo e o moderno e sua economia vibrante, comércio variado e turismo forte contribuíram para o renascimento do lindo lugar.
Por sua proximidade com a espetacular e enorme Hamburg, Lübeck é destino fácil, a apenas 44 minutos de trem do grande centro. Ir de manhã e sair à noite, de preferencia no verão é um grande programa. Mas ficar uns dois dias inteiros, pelo menos, é o ideal. Aproveitando os bons preços dos ótimos hotéis e restaurantes da cidade, além de boas, baratas e saborosas compras!
Zurique, 25 de julho de 2021
sábado, 14 de agosto de 2021
BOGOTÁ
BOGOTÁ – 2021
Só faltava a capital colombiana para completar meu itinerário por capitais sul americanas. Como creio que jamais viaje as Guianas ou Suriname, por total falta de interesse nestes nossos vizinhos tão ao norte, a Colômbia e sua espetacular capital eram, respectivamente, o ultimo país e ultima capital a explorar. Veredito: minha favorita, disparada em primeiro lugar, é Buenos Aires. A segunda, surpresa total, Bogotá. Lima e Santiago e a séria Montevidéu perdem para esta enorme e interessante cidade encravada nos Andes.
Sua localização privilegiada e única destaca Bogotá de outros centros andinos e do alto do morro Monserrate se pode observar porque. A cidade se espalha por enorme planície entre dois lados das encostas andinas, por um lado muito verdes, por outro mais secas e nevadas. Curiosamente, os bairros mais elegantes e os centros históricos estão colados aos morros cobertos de vegetação exuberante e muitas flores, o que lembra um pouco o Rio de Janeiro e é por este verdejante esplendor é que se chega ao alto de Monserrate e a vista fabulosa. O topo, a 3100 metros de altitude, pode ser facilmente alcançado por teleférico e com muita dificuldade, por uma espetacular caminhada por escadaria infinita, cerca de 1500 degraus. A caminhada vale a pena pelo exercício, pela observação das flores colombianas alegrando o trajeto e pela alegria do povo, que adora subir a encosta íngreme nos finais de semana. Em sua maioria jovens e famílias, junto a fiéis católicos que fazem o trajeto cumprindo promessa ao Senhor dos Caídos, na igreja de mesmo nome, no topo.
O grau de dificuldade da caminhada de duríssima uma hora e meia, deve-se ao fato de que Bogotá é uma das capitais mais altas do mundo e subir caminhando os 500 metros de diferença em altitude é totalmente de tirar o fôlego. Deve ser feito devagar, por pessoas sem problemas cardíacos ou respiratórios, em boa forma e com muita paciência. Há vendedores pelo caminho ofertando água, refrigerantes e frutas, além dos suvenires de costume. O local é bastante policiado, mas como a Colômbia é um pais tipo Brasil e Bogotá tem o mesmo nível de alerta que o Rio de Janeiro, convém fazer o trajeto nos finais de semana, em horários diurnos, com gente por perto. Foi o que fiz, sem o menor problema. Me diverti com os ruidosos nativos, bem parecidos com os brasileiros, os que sobem caminhando com som alto, dançando, rindo, falando mais alto ainda. Diversão grátis e saudável.
A igreja no topo abriga a imagem acima citada, supostamente milagrosa, antiga dos anos 1600, um Jesus caído no chão, estirando o braço, pedindo ajuda. Vale uma oração para agradecer a chegada até ali, bem como vale um almoço na Casa San Isidro, uma casa de fazenda com mais de 120 anos, linda, aconchegante, lareira crepitando no salão principal, comida deliciosa. Desci o belo serro com o teleférico, chega de escadas. Ir a Bogotá e não subir o Monserrate é não conhecer Bogotá, não ter a menor idéia de como é a cidade, pois só é neste topo que se tem a dimensão completa do lugar, da majestade das montanhas e vulcões, das planícies repleta de gado gordo, das plantações do melhor café do mundo, da beleza do céu infinito contrastando com todo o resto.
Não tão imperdível, mas curiosa, é a visita à mina de sal em Zipaquirá, cidadezinha histórica a uns 50 km da capital. A Catedral do Sal é a parte turística e muito bem organizada da operação e para cristãos fervorosos uma impressionante igreja subterrânea, gigante e misteriosa. Na volta os curiosos gourmets devem programar almoço ou jantar no bizarríssimo e delicioso restaurante Andrés Carne de Rés, no subúrbio de nome Chía, lugar semi-chique de Bogotá. Serviço impressionante, eficiente, lugar bem louco, só vendo para crer. É uma mistura de ferro velho, loja vintage, circo antigo, parque de diversões. Imperdível. Há outras filiais pelo país, mas a matriz é a melhor.
A comida em Bogotá é excelente e a qualidade dos ingredientes é o carro-chefe. Carne padrão argentino, frutos do mar maravilhosos, café melhor do mundo, chocolate de respeito (destaque para os da marca Serge Tierry, só encontrado em boutiques exclusivas), frutas e sucos divinos. Assim como mais que divinas são suas rosas e floriculturas. Há lojas que só vendem rosas, nos arranjos mais incríveis e de tamanhos e cores surreais.
A arquitetura da cidade brilha nas muitas construções que usam tijolos aparentes, harmonizando com o verde eterno desta cidade onde chove todos os dias e a temperatura média é de 14 graus. Sempre fria, venta muito por causa dos Andes, não é lugar para quem gosta de calor e praia. Bogotá é lugar para quem gosta de frio, elegância, bom comércio, boa comida, baladas, prazeres urbanos em meio a belos parques e infinitas possibilidades de lazer. Nunca vi tantos shoppings, tantos cinemas. Muito teatro, mesmo em tempos pandêmicos e oferta cultural abundante neste país de tantos escritores maravilhosos como Garcia Marquéz, Laura Restrepo, Pilar Quintana e Fernando Vallejo. No centro cultural dedicado ao Gabo, premio Nobel inesquecível dos Cem Anos de Solidão, comprei livros numa das livrarias mais bem sortidas que já visitei. Em plena pandemia assisti ao lindo show musical de Flora Martínez, boa cantora se apresentando no pequeno Teatro Colón, bela miniatura do gigante argentino. O distanciamento social entre as poltronas era marcado por rosas vermelhas, da cor das poltronas. Toque sensível e bem colombiano.
Os famosos Museu Do Ouro e o Botero justificam a fama, principalmente o primeiro. Os artigos dourados, profissionalmente exibidos e catalogados fazem do Museo del Oro um dos top 10 das Américas. O Botero é pequeno, grátis e para quem, como eu, é fã dos gorduchos retratados pelo caríssimo pintor nativo, perfeito. Ali conheci as pinturas de frutas gordas e esculturas gordas, inéditas. Os dois museus localizam-se num emaranhado intrigante de construções antigas bem preservadas e aquela atmosfera do centro da capital paulista com toques de Ouro Preto, um tanto caótica e caída. Tudo em meio a lindas igrejas, camelôs, lojas que vendem esmeraldas, museu dedicado a tal pedra, que não visitei. Bogotá conta com vários outros museus interessantes que não tive tempo de conferir, mais um motivo para voltar.
No quesito gastronômico o restaurante Cosette, francês descoladinho do shopping chique, Centro Andino, é ótimo lugar para ver e ser visto, comida de primeira. Os famosos Harry Sasson e El Chato, ambos bem cotados na lista dos 50 melhores restaurantes da América Latina da revista Restaurant, atual Bíblia do assunto, valem o que cobram. O primeiro vale pelo ambiente, serviço, melhor palmito grelhado do mundo, movimentação de gente bonita, localização. O El Chato é hoje em dia o melhor da Colômbia, culinária de vanguarda em ambiente simples, mas transado. Meu favorito, no entanto, foi o restaurante do belíssimo hotel Four Seasons, o Castanyoles. Modernidade alimentar fina, em lindo ambiente confortável e ensolarado, mescla de alimentos locais e influencia forte espanhola. Churros com cremes de frutas em vez de dulce de leche, croquetes crocantes de jamón ibérico, berinjelas gratinadas picantes e outras bondades.
O país, nos tempos atuais, é barato para brasileiros, não tanto como a Argentina, mas um dos poucos onde nossa moeda sofrida vale algo. Os hotéis são variados e de custo razoável e me hospedei no EK, muito bom, no agradável e bonito bairro semi residencial, Chapinero. Escolha certa, pois o centro de Bogotá, apesar das muitas atrações, é o mesmo mico que hospedar-se no centro de São Paulo. Melhor pagar táxis, muito baratos, e andar tranquilo nas ruas belas e arborizadas de Chapinero do que nas duvidosas artérias da La Candelaria.
O povo me pareceu alegre e comunicativo, gostam de brasileiros, são bem informados sobre nosso controverso país. Voltarei para conhecer praias, Cartagena, Medellín e Cali. Quem sabe o famoso carnaval de Barranquilla, voltando sempre a Bogotá, que adorei.
Só não gostei do transito, pior que o de São Paulo. Mas não há lugar perfeito, certo? Se existir, só o Céu...
Zurique, 04 de julho de 2021.
quarta-feira, 28 de julho de 2021
VEVEY E MONTREAUX
VEVEY E MONTREAUX
Montreaux eu já conhecia de alguns anos e de uma das melhores edições que o Festival de Jazz local já teve. Este evento, famoso mundialmente, reúne as grandes estrelas deste estilo musical e é bastante concorrido. Este ano, só uma versão light, só pequenos espetáculos ao ar livre. Apesar de não ser grande fã da cidade, o que me fez voltar foi uma exibição maravilhosa e enorme de obras do pintor americano Andy Wharhol. Tudo girando, em maior parte, no que o genial artista produziu em relação a musica; capas de discos, cartazes, retratos de cantores e bandas e coisas no gênero. O inusitado da mostra ficou por conta do espaço: dentro de um dos grandes auditórios para concertos, que não sendo utilizado este ano, foi transformado em salão de exposições. Boa maneira de fazer uso de espaço famoso e caro, mesmo em longos tempos pandêmicos como os que estamos vivendo.
Adorei Vevey, onde nunca estive. Foi amor à primeira vista, e que vista! O lago de Genève em seu esplendor de azul e montanhas enormes, escarpas de granito infinitas emoldurando uma baía de águas límpidas, jardins floridos, palácios, mansões e castelos. É um dos lugares mais bonitos da Suíça e a sede da Nestlé; que não é gigante, apenas prédios discretos e baixos, nada que chame atenção. Isto fica por conta do lindo museu Alimentarium, beira lago, que a Nestlé diz ser o único museu dedicado à comida no mundo. Pode ser, pois a poderosa empresa suíça está entre as maiores e mais importantes do planeta neste setor.
O Alimentarium está instalado em bela mansão antiga, em vez de jardim, horta, espaços infantis, cursos de culinária, exposições acompanhadas de almoços ou jantares e um café divino. Claro, só servindo bebidas Nespresso. Provei o Machiatto gelado sabor piña colada, uma delícia! Há doces e salgados bem bons, o ambiente é claro, ensolarado, mobiliado com classe e conforto, descontraído. Lojas interessantes completam as ofertas comerciais. No lado da mostra permanente, uma exposição interativa sobre a história da alimentação no mundo e como interagimos com ela. Fascinante, bem como a mostra temporária do andar de cima, sobre o movimento Vegan. O vegetarianismo tão em moda, porque e para que; de maneira neutra, didática, sem tomar partido. Um politicamente correto que informa sem radicalismo. Bem suíço...
O museu da Confraria dos Vinicultores e o de História de Vevey ficam ali perto, numa mansão maior ainda que já foi, entre outras coisas, hotel. Como a produção de vinhos na Suíça é quase toda localizada na parte francesa, ali está a confraria, sua história muito antiga e detalhes fascinantes sobre a festa anual dos vinicultores (Fêtes de Vignerons), ocorrendo todos os anos na grande praça principal de Vevey. O evento é tão bonito e importante, que é mostrado pelo principal canal de televisão do país, todos os anos. A história de Vevey segue alinhada com a de Lausanne e Genéve, cidades bem maiores em torno do mesmo lago. No mesmo edifício o restaurante famoso Dennis Martin exibe o esplendor da culinária franco-suíça. Só jantar, vou voltar para conferir.
No lado artístico, pintura e escultura, gravuras, desenhos e aquarelas, o magnífico museu Jenish deslumbra e é quase todo dedicado a retratos feitos por artistas do calibre, de Rembrant, Picasso, Corot e Kokoshka. Mais crayons, aquarelas, fotos do que pintura desta vez e há sempre exposições de artistas contemporâneos propondo um contraponto ao clássico e antigo.
Estes museus são apenas os que escolhi visitar, pois Vevey tem bem mais a oferecer, apesar de ser cidade pequena. Voltarei para pernoitar, conferi novidades, curtir e caminhar pelas ruazinhas antigas, mercados, praças, parques e a praia do lago.
No setor culinário o restaurante belga Le Carré é ótimo para almoços ou aperitivos beira-lago, seus waffles e mariscos são quase tão bons quantos os da Bélgica in loco. Chocolates brilham nas maravilhas do chocolateiro David e sua loja de sonho. O toque gourmet estrelado foi o restaurante Les Ateliers, onde num dia de verão provei tartare de carne vermelha de entrada e de salmão como praço principal. Seguidos de pana cotta modernosa com cerejas semi-cozidas. Tudo regado a um bom chardonnay da região. A casa famosa, bem moderna e extremamente profissional, encontra-se em espaço inusitado, ao lado da simpática estação de trem, em antiga fábrica de máquinas, reformada e interessante. Vale aguentar a demora e o serviço antipático. Reserve. Eu fui sem e me puseram perto da cozinha e me ignoraram por bom tempo...
Vevey é tão rica, interessante, pacífica, charmosa e encantadora que vários famosos se instalaram por lá através dos tempos. O mais famoso, claro, o comediante e cineasta inglês, Charles Chaplin, entronizado em estátua de bronze em frente ao Alimentarium da Fondation Nestlé. Ele tinha bom gosto!
Para minha irmã Monica que me indicou Vevey.
Zurich, 28 de julho de 2021.
domingo, 25 de julho de 2021
YVERDON - LES - BAINS E OUTROS LUGAREJOS BONITOS NA SUÍÇA FRANCESA
YVERDON-LES-BAINS, GRANDSON, CREUX DU VENT E SAINT URSANNE
Não conheço tão bem a Suíça francesa como conheço a alemã, então nas poucas vezes que tenho estado na região, me delicio com o charme da cultura francesa, a língua, a culinária.
Yverdon é um paraíso de spa e águas termais, além de muito verde e um centro histórico adorável, com direito a castelo-museu bem na praça principal, uma infinidade de bons cafés, restaurantes e lojas charmosas. O restaurante do teatro principal da cidade, no verão ao ar livre, serve pratos rápidos e simpáticos. Ali perto tomanos o trem que em cinco minutos leva ao vilarejo Grandson, onde um mega castelo bem interessante nos esperava. Com apenas 1000 de história, o lugar foi salvo por fundação de milionários locais que restauraram tudo com perfeição. Alugam o magnifico castelo para festas e eventos e assim conseguem custear a manutenção. Se os turistas estiverem dispostos, a caminhada de cinco quilômetros entre Grandson e Yverdon é uma boa maneira de queimar as calorias adquiridas após o consumos de tortas fabulosas na confeitaria Schneider, em Yverdon.
Após duas noites no Hotel de la Source, percorremos o pitoresco trajeto até Creux du Vent, o “Grand Canyon” suíço. Não chega aos pés do americano, mas é um lugar lindo, com caminhadas fáceis e vistas grandiosas. Assim como linda é a estrada até a mini-vila Saint Ursanne, uma coisinha de contos de fada. Umas casinhas pintadas em cores pastel, uma igreja de sonhos e um restaurante típico onde só as batatas fritas e a Coca Cola não são feitos lá. Os donos se orgulham em dizer que até os sorvetes são feitos na casa e os ingredientes são todos fornecidos por produtores da região; vinhos, licores e destilados também. Chama-se Hotel du Boeuf, lugar simples e sem grandes atrativos, mas comida boa e verdadeiramente caseira. O filé a milanesa recheado com presunto e o maravilhoso queijo tete de moine, é realmente especial.
Viajar de carro na Suíça é uma delícia e as paisagens deslumbrantes compensam as despesas salgadas em francos suíços!
Zurique, 25 de julho de 2021
terça-feira, 13 de julho de 2021
RIEDERALP E AS VAQUINHAS SUÍÇAS
RIEDERALP – O VILAREJO MAIS TÍPICO DA SUÍÇA
Quando pensamos neste país logo imaginamos vacas, queijos, chocolates, relógios e bancos. Pastos verdejantes, muitas flores do campo, calma, segurança. E muito dinheiro. Sim, é tudo isso e bem mais e neste fim de semana de meados de julho – 2021 - passamos cerca de quatro dias em Riederalp, que mais parece um cartão postal do que uma cidadezinha a dois mil metros de altitude, aonde se chega só por teleférico. E tudo chega por teleférico: pessoas, cães, gatos, bagagens e todos os suprimentos e materiais de construção. Uma operação impressionante que envolve sete enormes estruturas de teleféricos, pois não há estradas nestes lugares tão altos. Desnecessário dizer que tudo funciona muito bem, mesmo com chuva forte ou nevascas.
E contribui com o toque especial de se estar semi-isolado bem perto do céu, do Aletsch, glaciar maior da Europa continental e do pico Matterhorn, símbolo majestoso do país. Num dia ensolarado o show das montanhas, da neve e do gelo, somados a florestas antigas, a lindos chalés centenários, as vacas gordas e as flores diversas e coloridas do verão, formam o cenário idílico deste lugar tão especial. Especialmente para casais enamorados e famílias. Bons hotéis e restaurantes ajudam também; para quem aprecia golfe de altitude o Golfhotel exibe um campo dos mais desafiadores e um restaurante bem bom. Ali perto há outros povoados um pouco maiores e outros menores e várias opções de trilhas e lagos.
É possível nadar nos lagos no verão e há também os rasinhos para crianças, além de pesca de truta para os apreciadores de tais atividades. Bicicletas para alugar e vários playgrounds públicos para as várias crianças que lá passam o verão. Alugar apartamentos e casas é muito fácil e os tais chalés centenários são em geral bem modernos e confortáveis por dentro. Os supermercados da região são pequenos, mas bem sortidos e táxis elétricos e ônibus idem facilitam o transporte nesta área sem carros. E sem poluição ou barulho.
Só paz, beleza, natureza respeitada e até um belo museu com exposições relacionadas ao meio ambiente, café, loja e museu de flores ao ar livre; instalado na mansão Cassell, de um inglês rico que amava a Suíça, Riederalp em especial.
No inverno tudo é coberto por metros de neve e os esportes como esqui, snowboarding e todo o resto dominam esta área. Deve ser lindo, mas a estrutura de esportes de inverno não se compara a Flims, Zermatt, Gstaad ou Saas Fee.
Eu voltaria no verão para me sentir parte do cartão-postal. Eu e as vaquinhas com sinos!
Zurique, 13 de julho de 2021
quinta-feira, 8 de julho de 2021
ARTE NA SUÍÇA E PORQUE VISITAR O PAÍS JÁ!
ARTE EM FESTA NA SUÍÇA PÓS-PANDEMIA
Tudo aberto, volta ao normal, uma tentativa de dar crédito a uma campanha de vacinação bem sucedida. Otimismo exagerado? Pode ser, mas neste pequeno e rico país europeu, o primeiro a abrir suas fronteiras a brasileiros, depois de quase um ano e meio de portas fechadas, os museus apresentam novas exposições, lotadas, maravilhosas e vibrantes. Vale muito a pena enfrentar os preços altos deste país tão lindo e vir conferir as exposições magníficas que são um sopro de ar fresco neste ar pandêmico tão contaminado e árido.
Em Basel, um dos centros artísticos mais respeitados do mundo, a exibição magistral de mais de cem obras do artista inglês de rua, Banksy. Nunca pude imaginar que sua obra fosse tão intrigante e controversa, tão estimulante. Para mim, uma espécie de Andy Wharhol britânico, bem mais talentoso, bem menos comercial. Por ali também, o luxo absoluto de se alagar um museu caríssimo em água verde brilhante e plantas aquáticas, travessura de Oláfur Eliasson, o ”darling”, enfant terrible da arte contemporânea. Fabuloso! Como ousada também a sala do Beyeler empilhada com exemplares de toda a extensa coleção, acervo do museu. O Beyeler e seu belo prédio projetado por Renzo Piano, se orgulha de poder exibir, confortavelmente, enormes trabalhos de arte contemporânea; tipo um quadro gigante por sala. Esta nova iniciativa enche três paredes do topo ao chão com Picassos, Richters e Tungas, todos grudados. Um efeito inusitado, estranho, num museu que não para de ousar e desafiar.
Ainda em Basel, na vetusta e respeitada catedral das artes, o Kunstmuseum, a irreverencia agressiva e bastante incomoda da artista plástica negra, Kara Walker. O museu que abriga tesouros impensáveis e que recentemente abriu uma divisão caríssima em mármore cinzento, o Neubau, totalmente dedicado à arte moderna estabelecida, ousa em exibir a contundência da Sra. Walker.
Em Zurique, na Kunsthaus, a casa das artes por excelência, prestes a inaugurar mais um prédio-show dedicado às artes plásticas, a cereja do bolo: a exposição do artista vivo mais caro do planeta, Gerhard Richter. Alemão de Dresden, este gênio atual pinta paisagens como ninguém, misturando diversas técnicas com efeitos fotográficos, mas curiosamente borrados, fora de foco. Embasbacante. Para mim redentor, pois perdi a exposição de suas obras na agonia do finado museu nova-iorquino, Met Breuer. Lugar que eu amava, inexplicavelmente fechado para sempre. Richter estava iniciando uma mega exposição ali quando a pandemia atacou e seus trabalhos ficaram trancados por lá. Lástima...
Ali também uma exposição comparando Ferdinand Hodler a Gustav Klimt, no que se refere a mobiliário e decoração art-nouveau. Coisas que só podem ser vistas em museus do calibre da Kunsthau, pois misturam decoração com pinturas valiosíssimas, numa iniciativa que envolveu o governo austríaco e museus daquele país.
E para completar a visitação e o deleite de ver coisas novas após os quase dois sombrios anos pandêmicos, a inusitada exposição de arte norte coreana em Berna, capital da Suíça. Quis ver esta mostra para conferir o que significa arte norte coreana, deste país tão fechado, controverso, violento e misterioso. Como imaginava, é só propaganda comunista radical e nove entre dez obras exibem a figura do líder político atual. O interessante da mostra é a comparação com arte chinesa e sul coreana contemporâneas, que não podem ser mais modernas, polemicas e desafiadora. Triste ver como um regime político louco e radical pode sufocar a criatividade dos artistas, fazendo de suas obras nada mais do que fotografias pintadas de uma realidade infeliz. No museu alpino, ali perto, há uma mostra paralela de documentários feitos por cineastas e cientistas suíços, que retratam as condições difíceis de vida na Coréia do Norte atual. Com depoimentos de nativos completamente fanáticos pelo regime e seus dirigentes. Coisa para pensar...
Zurique, 8 de julho de 2021
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